Concurso Público Nacional de Projetos de Arquitetura: Unidades Habitacionais Coletivas para Sobradinho da Companhia Habitacional do Distrito Federal (CODHAB)

Local
Sobradinho, Região Administrativa – RA V de Brasília – DF

Data início do projeto
julho/2016

Data finalização do projeto
agosto/2016

Área de intervenção direta
900m²

Equipe
Fabricia Zulin, Renata Coradin e Claudia Karina de Resende

O edifício habitacional de Sobradinho, implantado em uma área de 900m², foi concebido a partir da proposta de grande aproveitamento do potencial construtivo do terreno, agrupando, nesta edificação, 72 unidades habitacionais, sendo 12 com 3 dormitórios e 60 com dois dormitórios garantindo qualidade espacial a todas elas.

A Taxa de Ocupação máxima de 100%, sem a necessidade de afastamentos mínimos e a Taxa de Construção máxima de 700%, com possibilidade de construir 6 pavimentos mais pilotis, reforçou ainda mais a diretriz do máximo aproveitamento.

O terreno retangular, com dimensões de 15m x 60m conduziu o projeto a uma composição mais linear, tipo “vagão de trem”, organizando as unidades ao longo das laterais mais alongadas do terreno e, em um primeiro momento, uma circulação central fechada e cercada pelas unidades.

Salvo as unidades das esquinas, as tipologias localizadas na posição central só poderiam contar com uma face para ventilação e iluminação, o que levaria a uma solução de “unidade corredor” que não era a melhor solução para aproveitamento da área do terreno neste momento.

Entendeu-se, portanto, que era necessário trabalhar com a permeabilidade do volume, buscando quebrar a longa fachada de 60m e iluminar o miolo central. Foi desenvolvida então uma tipologia mais estreita, que permitisse a abertura de vãos configurando-se um volume composto de três blocos principais conectados através de uma passarela central, multiplicando-se, portanto, faces bem ensolaradas.

Embora o objetivo de implantar 12 unidades por andar (número máximo permitido para habitação coletiva econômica sobre pilotis em projeção pelo Código de Edificações do Distrito Federal, Art. 181), com a otimização da circulação, parecesse ter sido alcançado, ainda havia o objetivo final que era oferecer a possibilidade de que pelo menos 2 unidades por andar tivessem 3 dormitórios. Possibilidade apresentada pelas bases do Concurso que foi interpretada como mais um desafio a ser solucionado para garantir que o edifício proposto pudesse atender à diferentes composições familiares, um avanço na qualidade em projetos de habitação coletiva econômica que normalmente contam apenas com apartamentos de dois dormitórios.

A necessidade de “encaixar” o terceiro dormitório levou ao desenvolvimento de uma segunda tipologia. Enquanto a tipologia 01 se organiza com uma distribuição clara entre os espaços que podem ser chamados de especializados (cozinha, área de serviço e banheiro), voltados para o interior do terreno e os espaços não especializados (sala de estar e dormitórios), voltados para a face externa, a tipologia 02 precisou ser reorganizada para receber o acoplamento do terceiro dormitório.

Contudo ainda faltava encaixar as 12 unidades, para isso, a terceira tipologia foi desenvolvida. Uma tipologia de esquina, com bom aproveitamento das faces laterais. A conformação desta terceira unidade possibilitou o encaixe do elevador entre os banheiros, proporcionando assim a distribuição dos acessos às circulações verticais com um elevador em cada extremidade do edifício conectados por uma passarela central.

A caixa de escadas também pôde ser encaixada entre as duas unidades de três dormitórios, permitindo que a passarela ficasse livre para a circulação, espaço este que oscila entre corredor e passarela proporcionando maior entrada de luz na porção central do edifício.

Dessa forma, chegou-se a uma volumetria final híbrida entre uma fachada mais homogênea e constante, conformada por um único volume e a outra face mais permeável, marcada por três volumes principais.

Como resultado, as unidades habitacionais possuem faces bem iluminadas e ventiladas e proporcionam privacidade aos usuários com relação à circulação coletiva.

Visando atender as especificações do Plano Diretor de Sobradinho, todas as vagas, correspondentes às 72 UHs, deveriam ser acomodadas no subsolo.

A projeção de 900m², porém, não comporta esse número de vagas. Com isso, e com base na Lei Complementar nº 755 de 2008, decidiu-se ocupar área pública em subsolo, através de concessão de direito real de uso não-onerosa, uma vez que se trata da implantação de uma edificação de habitação coletiva (Art. 4º).

Para acomodar adequadamente todas as vagas, foi necessário expandir a área da projeção em cento e cinquenta e cinco por cento (limite definido pelo Art. 8º da Lei Complementar 755) respeitando-se as distâncias mínimas estabelecidas com relação aos terrenos vizinhos. A tipologia de edifício foi desenvolvida tendo como diretriz principal a otimização do projeto buscando ocupar, da melhor maneira possível, a área de projeção de 900 m², além do terreno principal, poderá ser implantada nos outros quatro terrenos objetos do Concurso, considerando-se os ajustes necessários, principalmente com relação às dimensões dos subsolos em função dos limites dos lotes vizinhos e cotas de nível, buscando sempre o aproveitamento máximo das potencialidades de cada terreno a partir do projeto desenvolvido.

Veja as pranchas originais no site da CODHAB:
http://www.codhab.df.gov.br/uploads/
concourse/candidate/files/3607b9589bcfda4d4daee56caf2c66e9.pdf