Concurso Público Nacional de Arquitetura: Moradia Estudantil UNIFESP – Campus São José dos Campos

Local
São José dos Campos – SP

Data início do projeto
janeiro/2015

Data finalização do projeto
janeiro / 2015

Área do terreno
12.929,89m²

Equipe
Renata Coradin e Fabricia Zulin

Perspectivas
Ricardo Ligabue

MEMORIAL

No terreno de 12.929,89m², o projeto apresentado para o Concurso, se insere de maneira harmoniosa, valorizando as condições naturais e proporcionando um novo espaço de convivência para os alunos e residentes da Universidade UNIFESP de São José dos Campos.

Implantadas nas bordas do terreno e delimitadas pelas massas arbóreas características das áreas de proteção permanente (APP) ao longo dos córregos, as edificações configuram um espaço central cercado e protegido por esses edifícios que definem um eixo de ligação entre os dois principais acessos do conjunto. O primeiro acesso encontra-se na cota mais alta do terreno (594.00), onde fica estabelecida a conexão com o bairro e a cidade; o segundo, na parte mais baixa, proporcionaao conjunto ligação com um viário interno do Campus (ainda uma diretriz). Além da comunicação estabelecida com esse viário, na cota mais baixa (586.00), o projeto se abre para a área de convivência externa do Campus, também objeto deste concurso. A implantação das duas praças define espaços com características particulares: um, mais protegido e voltado ao uso dos estudantes-moradores;e o outro, mais aberto, proporcionando, aos estudantes, mais um espaço de descanso, convívio e lazer dentro da Universidade.

Ao observar a implantação do conjunto é possível identificar que, na porção sul, uma parte do terreno foi disponibilizada como uma praça pública, configurando a entrada do conjunto e estabelecendo conexão com o bairro e a cidade. O viário proposto nesse trecho do projeto permitirá que ônibus locais cheguem à entrada do conjunto, definindo uma zona de desaceleração que contribui para os percursos locais. O uso de bicicletas e caminhadas são fortemente incentivados a partir da ciclovia e pista de corrida/caminhada implantadas em uma cota confortável, que contorna o conjunto e as áreas de convívio propostas, favorecendo tais atividades.

Embora não seja cercado fisicamente, o conjunto se conforma de uma maneira que define os limites de acesso público e acesso restrito aos residentes, utilizando-se de espaços de transição que funcionam como filtros entre os espaços de acesso público e os mais privados. A biblioteca e o Miniteatro poderão ser utilizados por pessoas não residentes. A posição em que estão localizados no projeto, permite este uso de caráter mais público sem que isso interfira na privacidade dos residentes.

As edificações serão implantadas de acordo com a topografia natural do terreno formando, no eixo norte-sul, três platôs que vão, harmoniosamente, fazendo a conexão entre as cotas. Os edifícios acompanham os platôs variando o número de pavimentos entre três e cinco andares.

Nos andares, os espaços de uso coletivo imediato (autosserviço: banheiro; copa e área de serviço) foram dispostos como uma faixa entre a passarela e os espaços mais restritos, atuando como um filtro de privacidade. Dessa forma, esse setor de autosserviço faz a transição entre a circulação comum e o interior dos quartos.

O programa contemplou a construção de 184 espaços de uso privativo (unidades habitacionais para os estudantes residentes) organizados em: individuais (112 unidades), compartilhados (56 unidades) e familiares (16 unidades), que foram concebidos a partir de uma modulação racional que definiu espaços mínimos, facilmente adaptáveis, que podem ser agrupados ou separados, conformando os três tipos de espaços de uso privativo definidos pelo programa, fator que proporciona maior flexibilidade espacial a partir da modulação inicial proposta.

As circulações horizontais (passarelas) têm ventilação e iluminação natural. O módulo formado, em faixas, pela circulação + espaços de uso coletivo imediato + espaço de uso privado, proporcionam ventilação cruzada e boa insolação em todos os ambientes. Em todas as edificações os quartos têm as fachadas voltadas para leste e os espaços de uso coletivo imediato estão voltados para oeste, protegidos pelas passarelas que também atuam como brises.

Os blocos localizados nas extremidades dos edifícios, onde localizam-se as escadas e também os espaços de uso coletivo intermediário - praças de estar e estudo – têm elementos vazados como fechamento que também atuam como proteções solares.Essas “praças” estão distribuídas ao longo dos edifícios e dos pavimentos atendendo a um número de aproximadamente 30 residentes cada, incentivando o convívio entre os moradores.

Com uma edificação de baixa altura, que se insere no terreno, o projeto apresentado busca estabelecer relações com o entorno imediato, tanto da Universidade como do bairro e conforma espaços protegidos e agradáveis que contribuirão para promover o encontro de pessoas, garantindo vida aos espaços de uso coletivo em todas as escalas. O projeto aposta no uso responsável de materiais e na facilidade de adaptação, tanto dos espaços mais interiores, como na própria adaptação ao terreno, facilitada pela inserção das escadas em estrutura metálica como elementos articuladores. Com isso, este projeto de moradia estudantil se apresenta como uma contribuição para a cultura de projetos de moradias econômicas e residências estudantis.