Concurso Público Nacional de Projeto de Tipologias Habitacionais para HIS da Companhia Habitacional do Distrito Federal (CODHAB) – Prêmio 2º lugar para o Grupo 1.

Local
Brasília - DF

Data início do projeto
julho 2017

Data finalização do projeto
agosto 2017

Área de intervenção direta
Lotes individuais de 118,80m²

Equipe

Habitar Arquitetas Associadas
Fabricia Zulin, Renata Coradin e Claudia Karina de Resende

Consultoria Projetos Complementares
Alfredo Figueiredo

Jaramillo Van Sluys – Taller de Arquitectura y Urbanismo
Christine Van Sluys e Esteban Jaramillo

Colaboradores: Robinson Cueva, Nicole Andrade, Gabriel Fortenbacher, Adriana Granda e Andrea Acosta

O Habitar Arquitetas em parceria com o escritório equatoriano Jaramillo Van Sluys Taller de Arquitectura y Urbanismo e com o arquiteto e engenheiro Alfredo Figueiredo foram premiados em 2º Lugar no Grupo 1 do Concurso para Habitação de Interesse Social promovido pela CODHAB-DF.

MEMORIAL

O PROJETO HABITACIONAL


As tipologias habitacionais desenvolvidas para este concurso se enquadram no GRUPO 01, apresentando projeto para uma habitação unifamiliar econômica e uma casa sobreposta de um dormitório com possibilidade de expansão de mais um cômodo.

A proposta atende às necessidades da CODHAB e dos futuros moradores a partir de 5 critérios principais, oferecendo uma alta qualidade urbano arquitetônica com baixo impacto econômico.

01. SUSTENTABILIDADE URBANA: A partir de uma proposta urbana compacta e uma ocupação de solo consciente.

02. FLEXIBILIDADE ESPACIAL URBANO ARQUITETÔNICA: Com relação aos possíveis arranjos, variedade tipológica e ao crescimento progressivo das unidades.

03. RACIONALIDADE CONSTRUTIVA: Baseada em processos construtivos industrializados que permitam a unidade do conjunto sem detrimento da diversidade arquitetônica.

04. ADAPTABILIDADE FUNCIONAL: A partir de distribuições internas de tamanhos homogêneos que permitam a realização de diferentes atividades em qualquer espaço.

05. IDENTIDADE: A partir de arranjos urbano arquitetônicos que consideram a escala humana e favorecem a vida em comunidade.

UM PROJETO URBANO SUSTENTÁVEL

A consciência das consequências dos processos de urbanização e expansão da mancha urbana é essencial para o desenvolvimento das propostas urbanas atuais. A discussão contemporânea advoga, maioritariamente, pela utilização de modelos compactos: com maiores densidades, um consumo de solo mais otimizado e, portanto, menos agressivo com o meio ambiente, maior diversidade e consequentemente maior coesão social. Além disso, o modelo compacto também otimiza a distribuição de infraestrutura pública, serviços, equipamentos e comércio, favorecendo uma vida cotidiana de maior qualidade.

VARIEDADE TIPOLÓGICA: UMA GARANTIA PARA A DIVERSIDADE SOCIAL

As variações tipológicas, previstas no projeto, buscam romper a homogeneidade e monotonia, resultando em agrupamentos tipológicos com melhores diálogos volumétricos com o entorno e mais harmônicos com a escala humana. Ao contrário do que geralmente vem se operando em unidades habitacionais para população de baixa renda, a proposta não busca soluções instantâneas e padronizadas, o que significou deixar de lado a lógica da produção em massa para viabilizar o atendimento das grandes demandas.

Ao longo dos anos, as famílias passam por várias transformações podendo aumentar ou diminuir o número de integrantes. Essas transformações ao longo do tempo, assim como as diferentes formações familiares, precisam ser levadas em consideração na produção habitacional e, por isso, o desenvolvimento de um projeto que oferece a possibilidade de ampliação dos espaços é muito pertinente.

Dentro deste entendimento, apresenta-se um projeto suficientemente flexível às possíveis alterações, ampliações e adequações dos futuros usuários. No entanto, o grande desafio no processo de criação de uma arquitetura adaptável e progressiva é assegurar que decisões individuais não impactem negativamente sobre o coletivo, ou seja, sobre espaços públicos e privados dos vizinhos, afinal, deve haver o respeito às regras e convenções de um grupo maior, neste caso, o bairro e a vizinhança.

A CASA PÁTIO UNIFAMILIAR

O projeto, que aqui se apresenta, foi desenvolvido a partir dos conceitos de uma casa-pátio buscando um melhor aproveitamento do terreno, uma vez que é possível suprimir os recuos laterais garantindo iluminação e ventilação de qualidade aos ambientes voltando-os para o pátio interno. Com isso, consegue-se que a fachada frontal seja preservada e, uma vez que não há necessidade de abrir janelas, a privacidade dos moradores das casas térreas está garantida. De acordo com as dimensões do terreno, esta solução permite ainda que seja deixado espaço para estacionar os carros na parte da frente dos lotes, buscando assim solucionar o problema dos automóveis, uma realidade das famílias que, se não forem consideradas pelo projeto, os próprios moradores buscarão soluções que poderão comprometer a qualidade dos espaços públicos.

A unidade residencial se desenvolve, portanto, ao redor de dois pátios: um central integrado ao dormitório e aos ambientes de estar e jantar; e um nos fundos do lote que se relaciona com a cozinha e a área de serviço.

A partir da perspectiva do projeto urbano também se nota a importância dos pátios. Esses espaços abertos agregam dinâmica e qualidade aos agrupamentos habitacionais. Quando dois lotes têm os fundos voltados um para o outro, a área livre se amplia melhorando as condições de iluminação e ventilação das moradias.

CASAS SOBREPOSTAS

A partir de um mesmo projeto, com apenas algumas pequenas adaptações, temos a tipologia da casa sobreposta. A residência do pavimento superior segue a mesma distribuição do programa, agregando à construção uma galeria frontal onde está a escada, reforçando a identidade da fachada frontal, referenciada na arquitetura moderna brasileira.

ÁREAS DE AMPLIAÇÃO

As áreas de ampliação são, justamente, os ambientes que contribuirão para a composição do pátio. A unidade se desenvolve a partir de dois eixos principais: de um lado estão alinhados e interligados os ambientes de estar, jantar, cozinha, banheiro e área de serviço e, de outro, os dormitórios intercalados por um pátio central.

Esta flexibilidade do projeto, resultado de uma estrutura modular, permitirá adaptações do projeto uma vez que os terrenos de implantação sejam definidos. Como é possível observar, a proposta permite que as áreas de expansão aconteçam no módulo frontal ou posterior. Isso poderá ser definido junto à CODHAB e aos futuros moradores sem prejuízos ao projeto e à construção.

Como pode ser observado nos desenhos apresentados, sugere-se que, na tipologia de casas sobrepostas, a área de ampliação seja a parte de trás na casa térrea e a parte da frente no pavimento superior otimizando o uso dos espaços pois, enquanto não construídas, as áreas de ampliação funcionarão como espaço exterior de estar e lazer para os moradores.

ADAPTABILIDADE E CONFORTO AMBIENTAL

Tem-se, como princípio, que a arquitetura deve ser entendida como um organismo vivo, em constante processo de transformação, não como uma construção inviolável, intacta ou intocável.

Também faz parte deste desafio procurar garantir que as adaptações não prejudiquem o próprio usuário, quando por exemplo, a inclusão de um cômodo ou uma cobertura extra acabam prejudicando as condições de habitabilidade de sua moradia. Neste sentido, é possível notar o grande diferencial da tipologia proposta, à medida que o arranjo volumétrico, ao redor de pátios, garante iluminação e ventilação dos cômodos sem contar com o perímetro da construção, resultando em maior liberdade para possíveis adaptações dos usuários ou, até mesmo, para variações nos arranjos dos loteamentos.

A partir desta condição, é possível questionar: Até que ponto é possível fixar as características iniciais do projeto? Quais são as decisões estratégias ou regras que devem ser fixadas para assegurar não apenas as boas condições da habitação como do próprio espaço da cidade? O projeto proposto procura responder através dos 5 critérios utilizados essas perguntas, garantindo um desenho sustentável e de qualidade nas escalas urbana e arquitetônica.

Veja as pranchas originais no site da CODHAB:

Pranchas projeto urbano e arquitetura
http://www.codhab.df.gov.br/uploads/concourse/candidate/
files/73a393cf2a96da2440ad0a8c7ee8b7e5.pdf


Pranchas projetos complementares
http://www.codhab.df.gov.br/uploads/
concourse/candidate/files/6bd4a2ae36541ecf8969e0e1c4d94b20.pdf