Projetos residenciais do Loteamento de Interesse Social Canhema II

Local
Rua Karl Huller, Canhema– Diadema, SP

Data início do projeto
2013

Data finalização do projeto/obra
Em andamento

Área do loteamento Canhema II
9.624,94m2

Equipe

FASE 1 (2013 - 2014)
Arquitetura: Habitar Arquitetas e SODA (Studio Oficina Design Arquitetura)
Projetos Complementares: Habitar Arquitetas e José Armando Loures Vieira

FASE 2 (2014 - 2015)
Arquitetura: Habitar Arquitetas
Acompanhamento obras: Habitar Arquitetas e José Armando Loures Vieira

FASE 3 (2015 - 2016)
Arquitetura: Habitar Arquitetas
Acompanhamento obras: Habitar Arquitetas e José Armando Loures Vieira

Atual:
COMVIVA Arquitetura e Urbansimo

Participantes:
Arq. Fabricia Zulin
Eng. José Armando Vieira
Arq. Renata Coradin
Maria Raquel Dias Silva (Líder Local)
Woody Colombo (estagiário engenharia)
João Rafael (estagiário engenharia)
Manoel Boni, Mary Nabesima e Maria do Socorro Martins Soares (Associação Oeste)
Arq. Alessandra Bedolini
Arq. Antônio Castelo Branco Teixeira Jr.
Claudia Karina de Resende (estagiária arquitetura)
Felipe Garcia de Sousa (estagiário arquitetura)
Marianna Gimenez (estagiária arquitetura)
Luana Cabral (estagiária arquitetura)
Equipe SHDU da prefeitura de Diadema
Anderson Peron (Fotografias 2018)

Este trabalho retrata a experiência de projetar para 98 clientes simultaneamente.

O Canhema II é um loteamento de Interesse Social promovido pela Associação Oeste de Diadema. O grupo de moradores foi formado em 2006, ocasião em que buscavam um terreno e iniciaram o projeto do loteamento por autofinanciamento.

Em 2013 a Associação contratou o escritório Habitar Arquitetas para elaborar o projeto das tipologias habitacionais para 98 lotes que variam entre 42 a 75 m² de área. Nesta primeira fase (2013-2014) foram realizados plantões de atendimento às famílias na própria sede da Associação para entendimento das necessidades específicas dos moradores.

Numa segunda fase de contratação (2014-2015) foi incluído no escopo o acompanhamento das construções e o atendimento das famílias ocorria no próprio canteiro de obras. Esta expansão do escopo significou um grande avanço nos projetos residenciais de Loteamentos de Interesse Social promovidos por Associações em Diadema, pois até então os moradores geralmente recebiam apenas o projeto não havendo profissional habilitado acompanhando as construções.

Já com as obras em andamento, o CANHEMA II foi selecionado na Primeira Chamada Pública de Apoio Institucional do CAU/BR (n. 01/2015) na modalidade de apoio à Assistência Técnica Habitacional de Interesse Social.

Durante a terceira fase do projeto (2015-2016), período de convênio com o CAU/BR, a equipe técnica composta por profissionais de arquitetura e engenharia realizou o acompanhamento das obras, deu andamento na tramitação dos projetos legais na prefeitura e também desenvolveu o projeto executivo para as famílias que ainda não haviam recebido seu projeto.

No decorrer do tempo os projetos foram se configurando cada vez mais ao encontro da necessidade dos usuários, e assim, as tipologias habitacionais criadas inicialmente foram se transformando com as necessidades específicas das famílias.

Atualmente o COMVIVA continua atendendo às famílias que optam em fazer sua construção com o apoio profissional!

Exemplo projeto EVOLUTIVO
Esta casa se insere em um lote de 50 m² e foi um dos casos expostos ao CAU/BR para demostração da metodologia de trabalho que estava em andamento pela equipe. Retrata uma situação típica encontrada no CANHEMA II e na maior parte dos bairros populares, onde a família mora provisoriamente no pavimento térreo da unidade até o momento em que consegue juntar mais recursos e dar sequência na construção dos outros pavimentos. Foi assim que aconteceu com a proprietária deste lote e seu filho: a obra teve início em janeiro de 2015, mas em poucos meses já foi possível concluir o núcleo interno inicial – banheiro, cozinha e lavanderia, afinal, seria o trecho da casa definitivo, e por isso é notável o capricho na aplicação dos materiais e revestimentos escolhidos pela própria moradora. Atualmente sua construção está mais avançada, porém, ainda inacabada. O mais importante é que a cada momento que reinicia sua obra tem o planejamento em mãos - o projeto discutido com a equipe técnica e o conhecimento que em caso de dúvida deve sempre procurarum profissional.

Exemplo projeto MULTIFAMILIAR
Este projeto também se insere em um pequeno lote de 50 m². A diferença é que não se trata apenas de uma moradia, e sim, casas sobrepostas. O projeto soluciona a situação prévia de coabitação familiar involuntária a partir da criação de duas unidades habitacionais sobrepostas com acessos independentes e respeito à privacidade das famílias. Com planejamento e participação nas decisões referentes ao projeto, nossa cliente pôde investir seus parcos recursos poupados com mais segurança, e ao final, a moradora demonstra muita satisfação com o resultado. O local que mais gosta na casa é sua cozinha. Esta moradora foi beneficiada com o apoio do CAU/BR tanto na elaboração de seu projeto como também no acompanhamento parcial de sua obra.

Exemplo projeto USO MISTO
Mais uma mulher, chefe de família e empreendedora que sempre teve seu próprio negócio em um lote bem próximo ao CANHEMA II, porém, em área pública de concessão urbanística. A insegurança em relação a sua antiga moradia a fez procurar a Associação Oeste para obter o seu próprio lote, com 75 m³, e construir sua moradia junto com o seu comércio, uma lanchonete que hoje é a mais famosa da região. Também contou com o apoio do CAU/BR desde a elaboração do projeto até o acompanhamento da construção. Este projeto e todos os outros projetos elaborados na fase de apoio do CAU/BR puderam ser aprimorados em algumas questões, neste caso, a moradora aprovou abertura zenital em direção à escada, decisão tomada devido à possibilidade de comparação de resultados de casas já construídas na ocasião.

Os três casos apresentados exemplificam distintas situações de programas – casa evolutiva, casas sobrepostas e uso misto.

O Canhema II exemplifica a preferência que, no geral, a população tem em adquirir um lote ao invés de obter, por exemplo, um apartamento. Esta preferência pode estar relacionada principalmente à liberdade na disposição do programa e no planejamento da obra. No entanto é importante salientar que liberdade sem orientação de um profissional pode acarretar numa série de problemas relacionados à ocupação de lote urbano sem qualidade, resultando em condições bastante similares a que encontramos nas favelas, que resultam em moradias precárias com gravíssimos problemas de insolação, ventilação e estrutural. É claro que a disparidade entre a cidade real e a cidade planejada por arquitetos urbanistas foi um tema bastante polêmico e desafiador durante a condução deste projeto, afinal, como fazer este grupo de famílias compreenderem as condicionantes da legislação, referentes à recuos obrigatórios e gabaritos máximo de altura quando a imagem predominante nas cidades são construções irregulares e que raramente seguem normas e códigos de obras? Esses são desafios que precisam ser enfrentados para atuarmos para os 85% da população que desconhecem o papel dos profissionais seja de arquitetura ou de engenharia.